What’s in the ground belongs to you

dezembro 29, 2011

Tava aqui lendo umas coisas antigas, e reparei que era bem mais bonito antes.

Não gostei muito da música do título. Achei muito pesada. Tava esperando algo mais parecido com Album Leaf mesmo. Mas essa que tá tocando agora, “You already did”, do Russian Circles, me agrada.  Ainda desejo algo mais sutil, mas por enquanto, isso me serve.

Me pergunto se me lia naquela época, se ainda me lê. Só sou chata porque existe você, e final de ano é terrível.

Li demais, você demais, me cansei. Mudei a tag da rádio, If these trees could talk não funcionou. A música* tá mais bonita agora.

Acho que essa insatisfação é crônica, acho que é uma coisa que tá dentro de mim, sempre vai ter algo incomodando aqui dentro, por isso tô ignorando e levando as coisas “no passo do elefantinho”.

Aquela dúvida toda do passado faz falta, também.

Se eu te pedisse, sem dor, só por curiosidade, você me diria?

Me escreva, me desenhe, me leia.

Se me lê, me avisa.

Sem dor.

* Gregor Samsa – Young and Old.

Vê se escuta.

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Transição

dezembro 26, 2011

Só vim aqui registrar algumas coisas, pras ver quanto tempo dura, ter um falso certo controle, digamos.

Ando f- muito. Acho que é porque não consigo escrever, e tô esperando um surto de smart thinking que não veio, nenhuma das últimas 4 vezes, e duvido muito que virá, em algum momento.

Não há chuva, não há dúvida, não há cabelos negros, não há beleza estonteante, não há amor, assumido ou marginal, que faça algo sair daqui.

Acho que esgotou de vez mesmo. Foi bom enquanto durou.

Assim como a gente

provavelmente.

 

Me desculpa por tudo?

Te desculpo por tudo.

 

Só me diz que sim

Só me diz que sim.

 

O curioso é que depois de muitas noites de sono, isso não passou.

Saberia que seria efêmero, mas acabou mais rápido que eu esperava.

 

“Acho que, no final das contas, estou com um sério problema”


Furtacor

dezembro 22, 2011

Não sei o que me trás aqui. Não tenho apreensão, não tenho ansiedades, não tenho sofrimento. Tenho dor de cabeça, dor nas costas, fome de que essa pesudo paz de espírito permaneça aqui, só mais um pouco, “só mais cinco minutinhos”.

Os dias estão passando absurdamente rápido, mas dizem que dezembro, em geral, é assim. Janeiro tá chegando, e é tão neutro, tão nada, tão pouco.

Ainda não sei lidar com isso tudo. Ainda não sei lidar com nada. Cresço e envelheço e o medo de algo que realmente desconheço continua me fazendo querer desistir de tudo, todo o tempo.

Mas me forço, me esforço, permaneço. Fico paranóica, vejo tanto desprezo onde não tem, tanto comentário ruim onde ninguém abriu a boca, tanto futuro em uma terra de ruínas.

Não tenho mais o que dizer. Tudo que sai da minha boca é tão desnecessário, tão superficial.  Mas não tem mais nada lá no fundo, não tem.

Mas sei que tenho olhos, dois. Castanhos, normais.

E tua beleza, menino. Ah, tua beleza me faz sorrir.


That is why suffering is noble

setembro 21, 2011

Costumava ter problemas com a compaixão. Feria meu orgulho. Era ofensivo, pra mim, estar no fundo do poço e ter outras pessoas reconhecendo isso, e sentindo… bem ou mal, pena de mim. Que direito tinham? Não me conheciam, não conheciam minha história…

Mas tudo ficou mais claro. Na época, eu não sabia ainda lidar com o sofrimento. Não sabia ainda lidar com estar triste, com ver a vida desmoronando. Era tudo muito novo, e muito assustador. Tinha vergonha do meu sofrimento. Compaixão não é sobre ter pena, é sobre reconhecimento. Sobre ver sua dor refletida no outro. Sobre querer ajudar. Sobre querer ver melhor.

A compaixão não mais me ofende. A dor não mais me vergonha. Não mais tenho pressa para conseguir, apenas para superar.

 

Você ainda é a coisa mais bonita que já vi.  Ainda é perfeito, ainda é inalcançável.

Ainda é delas, e nunca será meu.

Entendo isso agora. Vejo claramente. Foram três anos de belíssimas músicas, mãos trêmulas, lições e hematomas incontáveis.

Obrigada por me deixar confortável com minha própria dor.


We drink to die, we drink tonight

setembro 7, 2011

Não tenho o que escrever, muito menos como parar de escrever. Todas as vezes que tento, você e “isso” – se é que isso existe (acredito que não realmente) – acaba/m mais longe, mais dentro do mar. O cheiro de chuva vai ficando mais forte, a vento leva o meu e o teu barco pra lugares completamente diferentes, eu grito se nome e você…?

Tem tanta gente bonita nesse mundo! Falo e faço tanta besteira e só percebo dias depois, e não sei por que… é como se não fosse eu, como se fosse piloto automático. Eu me escondo do que quero e o que quero foge de mim. Ninguém consegue nada.

São Duas e Trinta e Nove da manhã, e eu queria estar lá fora. Sentindo o vento, ouvindo aquela música terrível, olhando todas aquelas pessoas bonitas! Conversando, me distraindo. Mas sempre me vem você. Cedo ou tarde. Querendo ou não.

Esse texto vai acabar em nada. Esse texto não vai acabar. É a cerveja falando. A vodka. A vontade. Vou deitar, dormir, sonhar. Não vai dar em nada.

Nunca dá.

Nunca é.

Não acredito mais que algum dia isso vá mudar.

 

 

(mais ainda te amo)

 


Stay in bed

agosto 6, 2011

I won’t even say I’m depressed. I’m just tired. After so many years of being alone, I’m just… exhausted.

Estou exausta. É impossível pensar sobre sem querer chorar. Pra onde foi a satisfação que isso deveria trazer pra mim? Será que eu mudei tanto assim? Será que tudo mudou esse tanto?

Não sei o que aconteceu, mas acho que é cansaço mesmo. O desgaste emocional é intenso demais e extremamente destrutivo. Me disseram uma vez que minha missão de vida era amar as pessoas e nunca exigir nada em troca. Eu fiz algo diferente disso até hoje? Acho que não. Vai ver tal pessoa tinha razão. Mas outra pessoa me disse que ninguém nasce pra nada, a vida vai moldando a gente, a gente vai se moldando. Me disse que a gente pode escolher. Que a gente pode se fazer feliz. Na hora, eu duvidei. Agora, eu sei que a pessoa está errada.

Mas não vim pra falar disso nem deles nem desse sentimento que um dia achei tão bonito e que agora parece servir só pra destruir minha capacidade de me sentir bem. Vim aqui pra falar das escolhas que a vida me deu, da escolha que eu fiz, e do resto do ano.

Infelicidade ou Apatia. Essas foram as opções que me deram. Costumava escolher a infelicidade, pois é melhor pra criar. No meu caso, escrever. Mas o custo benefício e desfavorável, já que não escrevo nada bom, nunca escrevi. Ela vai engolindo a gente até esse ponto, esse ponto crucial em que me encontro. Não entrarei em detalhes, até porque não vejo muita coisa daqui.

You feel so fucking low, you want to fucking top yourself.

I’ll stop here, I’m crying to much to write.

A apatia parece a melhor opção agora. A leveza do não sentir. A calma, a facilidade. É tudo muito racional. Simplesmente não sentir, não se preocupar, de fato ir junto com as coisas… agora, soa maravilhoso. Tentar não muda nada. Lutar pelas coisas não muda nada. Correr atrás… bem, nunca mudou.

Tenho sete meses. Sete meses pra aguentar. Sete meses para esperar. Já esperei dezessete. São apenas dias, horas… levante, respire, cumpra com suas responsabilidades, deite. Sete meses disso. Sem sentir nada. Sem amar ninguém.

Vai ser fácil.


The kind of sad that just takes time

julho 29, 2011

“All my life needed was a sense of some place to go”

Três e vinte e um. Não consegui dormir. O vento de Brasília essa época do ano é muito forte, e é necessário fechar os olhos para protegê-los da poeira. Living is easy with eyes closed, misunderstanding all you see. Mas não é realmente. Você acaba esbarrando em coisas e pessoas, e ninguém gosta disso.

As coisas andam… andam. A terra vermelha é bonita, mas a grama não-verde não é. Parece morta. Dá pra ver que está faltando algo. Reflete o interior da gente. Isso incomoda. Por isso gosto mais da Primavera.

Escrevo sem muito propósito, ainda luto pra descobrir o que estou sentindo. Tristeza não conta mais, me sinto assim o tempo inteiro, já virou rotina. Apatia não pode ser. Talvez sede pelo novo. Talvez desespero pela volta do velho.

Tento imaginar como as coisas seriam se não fossem desse jeito. Mas é difícil, porque as opções são infinitas.

Infelizmente me conheço, e sei que estou falando demais, e muita besteira. Tô querendo desviar os pensamentos de algo. De você, de São Paulo, da vaga que eu perdi, do ônibus que partiu…

Aaaaaah, só queria dormir, me afogar em nuvens e navegar em mares coloridos.

Aaaaaah, só quero dormir, me encontrar com tudo que amo, e ser feliz, só um pouco. Esquecer, só um pouco.

Três e trinta. Tá ventando demais, e o som do vento nas árvores contorcidas me lembra desespero.

Me lembra amor também. Mas o que não lembra?


I turn my back and you got my shoulder

junho 16, 2011

Mas é verdade. Nada nunca foi dito ou prometido. Eu peguei qualquer coisa e fiquei obcecada por aquilo e acabei vendo o que não existia e ignorando a verdade e… que bagunça eu fiz. Meu Deus, que bagunça.

Eu tô deitada no meio dos destroços cinzas de tudo que eu criei. Prenderam minhas pernas, meu braços. Amassaram meus órgãos vitais e me deixaram de olhos bem abertos, pra contemplar o caminhão de coisas ruins que não param de jogar coisas em mim.

Mas eu quero deixar claro que nunca te culpei por nada disso. Na verdade, o prazer que vem/vinha é culpa sua. A dor constante é culpa minha.

Não sei se você se importa. Não faz muita diferença agora, pra falar a verdade. Mas é terrível, mesmo. Ainda mais depois de… eu achei que estava tudo indo tão bem.

Mas nada nunca foi algo além de ego. E tá tudo bem, mesmo. Estamos bem não sendo nada.

“Só existiu e só existiria ele, mas precisava usar suas últiams forças para neutrlizar aquela incessante tortura que lhe infligia. Precisava cancelar o quanto antes qualquer esperança, qualquer desejo, qualquer impulso em relação a ele. Precisava reduzi-lo a uma lembrança que traria consigo mesma e que tornaria tão familiar a ponto de, a intervalos, ignorá-la”


Sobre “Amigos” (e a ausência deles)

junho 13, 2011

O que são amigos? Esse é um conceito que nunca ficou muito claro pra mim. Achei que seria que nem amor. Que, quando eu tivesse amizade com alguém, saberia, sentiria. Mas isso nunca veio, e então comecei a achar que era minha culpa. Me obriguei a confiar nas pessoas. Me convenci que deveria gostar delas, e sentir falta delas, e me sentir magoada caso elas não me convidassem para suas reuniões, ou suas festas, ou seus piqueniques. E assim foi indo.

Hoje é um daqueles dias horríveis, inventados pelos comerciantes pra fazer os sortudos gastarem dinheiro e nós, meros mortais, a se sentirem como merda. E o pior é que nós nos sentimos. E por quê?

Engraçado como existem tantos tipos de solidão. Quando decidi que me afastaria, pensei “Tudo bem, será fácil. Já me sinto sozinha o tempo todo, mesmo”. Mas não é a mesma coisa. Antes eu sabia que poderia ter companhia quando quisesse. E tinha. Recebia visitas. Eventualmente alguns elogios. E agora a solidão é quase insuportável. Não fazem contato. Não tentam explicar, justificar, se desculpar. Penso que me querem longe. Então eu fico.

Não consigo ler, escrever, desenhar. E isso por três pessoas que me fizeram feliz, sim, muitas vezes. Assim como muitas outras me magoaram e fizeram com que eu me sentisse assim, vazia, sozinha, abandonada.

Penso que é melhor. I’ll vomit illusions, trick myself that I’m happy, but so much comes out of my mouth it’s burning me empty.


But I’ll calm down.

junho 9, 2011

Eu tinha escrito muita coisa pra tentar explicar algo que só o vazio de uma página em branco consegue.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

mas eu ainda continuo tentando voar com as asas de urubu que eu ganhei.